sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A descoberta da sexualidade feminina


A sexualidade da mulher é objeto de tantos comentários e debates da mídia que até parece que virou assunto livre entre quatro paredes. Trata-se de uma impressão falsa. As questões sexuais femininas continuam a ser um tabu para as diretamente interessadas, para os indiretamente envolvidos e para quem deveria tratar delas de um ponto de vista profissional – os ginecologistas. Os conhecimentos sobre a sexualidade feminina são relativamente recentes. Data de 1953 a descoberta de que o prazer da mulher depende da tumescência do clitóris. A partir daí, começaram a ser descobertos os mecanismos fisiológicos de certas disfunções. Os problemas femininos têm um leque de razões muito maior do que os masculinos. Além de distúrbios que dificultam a irrigação sanguínea dos órgãos genitais, elas estão sujeitas a desequilíbrios na gangorra hormonal que inibem a libido. Somam-se às causas biológicas barreiras sociopsicológicas que se transformam na falta de desejo, na dor durante a relação ou no orgasmo inatingível. Apesar da revolução dos costumes, das conquistas do movimento feminista, a sexualidade da mulher é altamente reprimida. A repressão sexual da mulher é milenar. Liga-se aos primórdios do estabelecimento da sociedade patriarcal e foi mencionada por diversos autores, Ainda que inconscientemente, muitas mulheres (inclusive de visual moderninho) continuam a incorporar a idéia de que o sexo é uma coisa suja, pecaminosa, repugnante e, portanto, não pode ser fonte de prazer. A revolução sexual teve início há quarenta anos. Em tão pouco tempo, é impossível mudar uma mentalidade sedimentada ao longo de séculos, pois 54% das brasileiras sofrem de alguma disfunção sexual, mas apenas 18% delas procuram ajuda especializada, por vergonha, 90% das vítimas de disfunções sexuais não comentam o problema nem com a melhor amiga, 60% dos ginecologistas brasileiros não investigam espontaneamente a qualidade da vida sexual das clientes e para cada 4 estudos sobre a sexualidade masculina, existe 1 sobre a feminina.


Fontes: Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade,
do Hospital das Clínicas de São Paulo, e Sociedade Brasileira
de Estudos em Sexualidade Humana.

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